Vulcões

A minha miss adorou as pedrinhas que lhe trouxe de Israel, e levou-as para a sala para mostrar aos amigos (como se fosse um tesouro, como contou depois a educadora). As pedras vieram do deserto (é verdade), de uma cratera (tecnicamente não muito preciso, mas vieram de facto de um local chamado cratera - machtesh em hebraico) e embora não sendo exatamente rochas vulcânicas (são sedimentares cobertas posteriormente por lava) caí na imprecisão de as chamar rochas do vulcão (permito-me alguma liberdade de linguagem com os meus meninos)... o nome "pegou" e quando dei por ela estava a ser convocada para falar de vulcões na sala dos 5 anos. Desta vez resisti um pouco e aleguei que os vulcões não são de todo a minha especialidade (o que é verdade) mas a miss estava encantada com a ideia, e as educadoras reforçaram que a criançada andava entusiasmada com o tema dos vulcões... e não podia dizer que não. Claro que adoro falar sobre ciência (qualquer que seja a audiência) e além de um prazer é uma obrigação - está incluído na "job description" de cientista...

Apesar de não ser especialista exatamente no tema sempre gostei de vulcões (assim como do mar, da atmosfera, dos sismos, dos planetas,...). Quando era miúda tinha um livrinho "Sismos e vulcões" do circulo de leitores, acho eu, que adorava (ainda deve andar algures nas minhas estantes, tenho que procurar). Já sei que para os miudos tem que ser tudo muito simples, mas à falta de um modelo que me agradasse (como o ovo cozido que usei para ilustrar as placas tectónicas quando falei dos sismos) optei por fazer meia duzia de slides, basicamente com imagens de vulcões, erupções explosivas e não explosivas, e um mapa de localização de vulcões (novamente tentando ligar com o assunto anterior das placas tectónicas). Apesar do meu receio inicial, por ser um tema pouco próximo da minha zona de conforto, acho que correu muito bem - modéstia à parte penso que tenho algum jeito, simplesmente porque gosto imenso do que estou a falar, e mais do que factos transmito (ou tento) esse maravilhamento pela natureza e as ciências naturais. À boleia das pedras do vulcão (o trigger inicial) acabei também por falar imenso sobre desertos e além de contar algumas das minhas aventuras no Negev acabei por falar sobre os desertos e a temperatura (que nem todos os desertos são quentes, ou porque os desertos são frios à noite - curiosamente, os adultos também gostaram aprender sobre isso ;)

E pronto, está cumprida a minha quota de "outreach" para os próximos tempos... ou não, quem sabe - pelo andar da carruagem... ;)